Às vezes os domingos são assim





Minha gata dorme o sono
dos justos
enrolada no cobertor
ronrona no canto do sofá
enquanto Seal canta Crazy
na playlist.

Minha mulher está no quarto
lendo sobre Freud e suas esquisitices.
entre anotações e leitura
segue tomando uma cerveja.

Podemos parecer estranhos para muitos
mas gostamos da nossa "solidão"
onde cada um fica no seu canto
fazendo aquilo que gosta
sem ser interrompido
a não ser por um carinho e um beijo
roubado sem motivo
algum.

Sim, somos estranhos
na visão de muitos
mas a gente se entende
e se dá bem.

fiquei no sofá, lendo poesias
de Bukowski e fazendo uma cerva gelada
descer na minha garganta.

às vezes os domingos são assim
cada um na sua
mas com alguma coisa em comum
(aquele bordão da propaganda antiga do Free)


Por falar em Free
hoje senti vontade de fumar
e de me embebedar
e de ouvir Demis Roussos o dia todo.

Não fiz nada disso
já são quase 6 meses sem fumar
Demis Roussos deixa minha mulher agoniada
e me embebedar está fora de questão.

Mas fico aqui
tomando uma lata de cerveja
enquanto observo Frida no canto do sofá
e Adele cantando uma música bonita na playlist.

O domingo está no fim.
Não há mais nada a fazer



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Acabou




O disco In the end foi lançado
e sei que será a última vez que 
ouvirei uma música inédita 
de Dolores.

esperei ansioso por ele
e enfim chegou.
Mas e agora? 
Não terá um próximo
não terá um show
não terá Dolores no palco.
acabou...
e ela nem verá o 
disco pronto.

Até hoje me pergunto porque
ela se foi.
Porque aquela mulher da voz potente
pela qual sempre fui apaixonado
não me dará mais nenhuma canção
pra ouvir nas horas em que a saudade
apertar.

O fim chegou
infelizmente
não há o que fazer
a partir de agora só restarão
lembranças de todas as vezes 
em que ela me fez companhia.

e mesmo sem saber
abriu um sorriso em meus lábios
a cada momento em que
pude ouvir sua voz.

Em algum lugar 
sei que ela pode me ver
sei que de alguma forma
ela sente o amor que tenho
e que a cada canção
me sinto mais perto dela.

por hora não há mais o que
dizer
apenas sentir

In the end




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20 de abril de 2019



Sábado à noite, sozinho em casa
uma boa oportunidade para escrever
Abri a geladeira e peguei uma cerveja
liguei o notebook , me preparei.

Minha gata chegou miando
pulou no sofá e deitou no meu colo.
Coloquei o notebook do lado
e fiquei acariciando seu pescoço.

Enquanto Club 8 tocava na playlist
bebia minha cerveja e 
a gata dormia no colo.
Pelo menos por enquanto
não conseguirei escrever.



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Escreva para não enlouquecer




sobre o amor
as tragédias
as dores
as decepções
a tristeza
a solidão
a agonia
a morte.

as pessoas adoram
todas dão likes
todas compartilham.

e no fim
ninguém pergunta
como você 
está.


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Mary Jane se foi e o que restou foi a parede branca com cheiro de tinta fresca



Mary Jane andava de um 
lado para outro
exibindo suas longas pernas 
e sua bunda grande.
parecia que estava na passarela
do SP Fashion Week

Mary Jane era esperta
sabia que chamava a atenção.
entre uma caçada e outra
andava pela parede
tranquilamente
ou tecia suas teias
enquanto lia A infinita Fiandeira
de Mia Couto.

 -Tem que tirar esse bicho daí. Diziam
 -Deixem a Mary Jane quieta, ela não faz mal a ninguém. Respondia

ela me reconhecia e
diariamente ao abrir a porta,
vinha andando preguiçosamente
e depois de ouvir o meu bom dia, 
voltava para seu canto.

hoje não a ví.
notei que a parede onde ela ficava
ganhou pintura nova no fim de semana.

e agora
Mary Jane se foi.
e o que restou foi
apenas a parede vazia
com cheiro de tinta 
fresca.






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Às vezes o tempo passa rápido, rápido demais


saudade do tempo em que andávamos na linha férrea
a caminho da escola
do tempo em que pegar mexerica
no quintal do vizinho
não era crime hediondo
do tempo em que a turma se encontrava a tardinha
na rua pra brincar de pega pega

saudade do tempo em que ter 50 centavos
te fazia o rei da cantina na escola
do tempo em que a gente ia na casa da tia da escola
e ganhava bolo de fubá com suco de laranja
das corridas de rolimã e dos joelhos ralados

Saudade do tempo em que a gente se divertia
em um monte de areia
do tempo em que fazíamos campeonato
de corrida de tampinhas
do tempo em que ficávamos apenas
jogando pedrinhas no rio
do tempo em que mamãe abria a janela
e gritava pra gente entrar pra jantar

Saudade do tempo em que
brincávamos com bolinhas de gude
e você era chamado de maioral
porque tinha mais de 10 bolinhas
brancas leitosas
do tempo em que um monte de toquinhos
de madeira, serviam pra construir um forte apache
e que os soldados vinham grudados
em maria mole na casquinha de sorvete

saudade de muitas coisas
do tempo que a gente era feliz
com pouca coisa
coisas simples
coisas que hoje não se vê mais

o tempo passa rápido
rápido demais
a gente cresce e ganha responsabilidades
às vezes nos esquecemos que um dia
fomos crianças

mas às vezes nos recordamos
o sorriso se abre em nosso rosto
as lembranças de tudo aquilo que
foi vivido

e o que fica é apenas
saudade
nada mais
que saudade

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